24 junho 2016

Livro: "Aníur" - Esther Moratto

"Não deu para ver muito bem, mas parecia que seus olhos estavam totalmente brancos, como neve... Antes dela falar alguma coisa, ele pegou o braço dela e a encarou, vomitando sangue em cima dela. Caiu no chão, soltando seu braço, e bateu a cabeça fortemente no piso duro."


Olá!

Hoje vim falar para vocês sobre o primeiro livro que li em parceria com a Young Editorial: "Aníur", da autora Esther Moratto (2015, 219 páginas)!

Já faz algum tempo que concluí a leitura, mas acabei me atrapalhando nas resenhas nesse primeiro semestre do ano e dei uma atrasada. Prometo que já já voltamos ao normal por aqui - inclusive já comecei a publicar algumas resenhas antigas que estavam BEM atrasadas! :D

Voltando, rs.
Confesso que o escolhi, primeiramente, pela capa. A achei muito linda e me apaixonei por ela na hora. Por conter um casal, acreditei se tratar também de um romance - apesar da menção a uma ruína próxima -, mas o livro é mais que isso e me surpreendeu, de fato, o rumo que ele tomou.

"Aníur" conta a história de Jake e Meg, dois jovens recém-casados e que tem tudo para ter um belo futuro pela frente. Porém, um certo dia, Jake precisa viajar a trabalho e acada deixando Meg sozinha no apartamento do casal. Ambos não contavam com uma grande catástrofe, que poderia acabar com suas vidas.
Um terremoto abala a cidade em que vivem, deixando Meg ferida. Ela é levada pelos bombeiros para um local onde estão outros feridos e sobreviventes da catástrofe e é aí que o pior acontece: algumas pessoas do abrigo começam a ter sintomas muito estranhos, como convulsões e vomitar sangue, levando-as a óbito rapidamente.
Meg conhece uma outra garota no abrigo chamada Cris e, juntas, ambas percebem que se trata de uma espécie de epidemia e fogem do abrigo para evitar que sejam contaminadas.
No caminho, elas encontram um grupo de sobreviventes liderados por Zou, que logo começa a sentir por Meg um intenso carinho e instinto de proteção.
O grupo parte, então, para tentar encontrar um novo abrigo e outros sobreviventes.

Enquanto isso, Jake retorna para a cidade, se deparando com a cidade em ruínas. Desesperado para reencontrar sua esposa, ele parte em busca de qualquer pista que possa levá-lo a ela, mas acaba encontrando uma criança chamada Charles, que também está perdido e a procura da mãe. Os dois seguem juntos pelo que sobrou do lugar em que viviam atrás de suas famílias.
Nesse cenário catastrófico, será o amor que o casal sente capaz de guiá-los novamente um para o outro?

"Parei de pensar no que estava ao meu redor e lembrei do rosto de Jake no dia do nosso casamento. Tinha que ser forte para encontrá-lo e conseguir rever minha família."


O que achei?

Trata-se de um livro bem curtinho, que pode ser devorado em poucas horas.
Ele começa com Meg falando sobre sua vida com Jake e sobre como o romance dos dois iniciou. Justamente por isso, nada havia me preparado para o que viria a seguir (não li a sinopse, pois gosto de surpresas, rs).

A catástrofe que assola os personagens é bem interessante, pois é uma ameaça difícil de ser combatida (uma epidemia por vírus), além de dar aquele toque de realidade ao livro que deixa a gente com uma sensação de impotência e angustia: a morte está no ar e por todo lugar. Tem coisa que dá mais agonia que isso?!

A autora cria esse clima de desespero de forma muito boa, e eu realmente fiquei me sentindo meio mal pelos personagens ao vê-los naquela situação. No entanto, achei que alguns pontinhos da trama poderiam ser bem melhor trabalhados, de forma a entreter mais o leitor e fazê-lo de fato mergulhar na história.
Os capítulos são narrados em primeira pessoa, ora por Meg, ora por Jake. Assim que Zou entra na história, ele também recebe alguns capítulos para ele. Porém, infelizmente, não consegui me conectar a nenhum deles, embora tenha criado aquela torcida secreta para vê-los "saindo dessa".


Estou sem forças, meus olhos doem de tanto chorar. Estou sem ar de tanto soluçar, preciso me acalmar, mas não consigo. Queria que só por um segundo ela estivesse aqui, para abraçá-la e dizer que tudo vai passar, que meu amor nunca acabará e que, no meu mundo, estaremos sempre juntos. Vou fazer uma loucura! Preciso de você, Meg. Meu amor!

Acredito que a grande culpada seja a narrativa rápida. Senti que faltaram mais páginas no livro para desenvolver mais a história. Se ele tivesse mais páginas, permitindo ser lento nos momentos calmos e mais frenético, porém detalhado, nos momentos de tensão, a conexão teria sido muito melhor. Essas pausas estratégicas cairiam muito bem para deixar o leitor respirar entre um acontecimento e outro.

É impossível fazer uma resenha muito extensa, por ser um livro curto, senão estragamos boa parte dele - e, logicamente, não farei isso, rs.
Mas o final foi um grande choque e tive que reler mais de uma vez pra entender se era aquilo mesmo! Gostei do fato da autora fugir totalmente do óbvio, mesmo que ele seja chocante demais.

Para agradar a todos, existe um final alternativo que, mesmo dando um destino diferente para os personagens, não me agradou tanto. Depois de ter lido o primeiro, fiquei atordoada demais para substitui-lo, rs.
Ambos, no entanto, não supriram a necessidade de explicar algumas pontas soltas do enredo que queria muito ver amarradas, especialmente sobre a motivação de se espalhar a epidemia (uma vez que a origem, o causador do surto é revelado).
O li em e-book, logo não há muito o que opinar sobre a edição. Creio que ele poderia ter uma revisão um pouco mais detalhada, mas isso não atrapalha a leitura.

Recomendo para quem adora uma boa catástrofe e uma boa distração literária!

NOTA: 2,5

Esse tipo de tema agrada vocês? Já leram? Que acharam?
Comentem! ;D

Beijos e até a próxima!

21 junho 2016

Livro: "Super Desapegada" - Jaqueline de Marco

"Permitir se apaixonar era a ação mais arriscada do ser humano. Algo que provoca imensos momentos de felicidade por motivos simples, um sorriso, um olhar, um elogio perdido em uma frase qualquer. Mas, por outro lado, um amor não correspondido podia gerar uma dor quase física, que tomava seu ar e escurecia não somente seus dias, mas apagava sua visão do futuro."



O que você faria se fosse apaixonada pela mesma pessoa durante 15 anos e soubesse, de repente, que o amor da sua vida vai se casar com outra?

Fazia um bom tempo que um romance não me fisgava desse jeito e precisei vir aqui contar pra vocês o porquê de ter gostado tanto desse livro! <3

"Super Desapegada" (Editora Draco, 2015, 220 páginas), da autora Jaqueline de Marco, é meu segundo livro lido em parceria com a Draco e fico MUITO feliz de encontrar nacionais de ótima qualidade! Pra quem ainda tem preconceito com autores brasileiros, sugiro que dê uma chance a esse querido, porque vale a pena!

Bem, o livro conta a história de Raquel, que faz o maior sucesso na internet. Seu blog "Super Desapegada" motiva mulheres a se valorizarem e prega a autoestima sem a presença constante e essencial de um companheiro. Mas fora da web, Raquel não é tão descolada assim... Ela sempre teve um amor platônico por seu melhor amigo de infância, Alan. Mas, no aniversário de 30 anos de Raquel, ela descobre que ele está noivo de Bianca, a irmã caçula de seu rival nos tempos de escola, Eric. Para conseguir acabar com o casamento, e conquistar de vez seu grande amor, Raquel precisa se aliar ao sarcástico Eric, mas logo ela começa a perceber que a união pode render muito mais do que ela imaginava e a aprender que para praticar o tão estimado desapego é preciso abrir seu coração para novas experiências... E, quem sabe, para um novo amor.

Quando Raquel era criança, tinha um enorme grupo de amigos, mas os melhores eram Alan e Eric. Só que Eric vivia perturbando a menina e, durante sua festa de 15 anos, quase estraga tudo derrubando bolo em seu belo vestido. Esse episódio foi o causador do momento mais sublime entre ela e Alan, e onde ela percebeu que ele era o homem da sua vida. A partir daí, Raquel passa a alimentar esse amor por 15 anos! Sim, 15 ANOS!

“Tudo era mais difícil com ele, mas, mesmo assim, parecia mais certo de alguma forma.”

Ao decidir finalmente contar para o amigo sobre sua paixão, ele aparece com a perfeita Bianca a tiracolo, detonando seu o coração. O que fazer? Aceitar tudo e partir pra outra ou lutar pelo seu grande amor, mesmo que isso signifique passar por cima de todos os seus princípios? Raquel escolhe a segunda opção e parte para o ataque, contando com a ajuda inesperada de Eric e de seus dois melhores amigos, Ian e Gabriela.
Como se não fosse o bastante, ela ainda é uma verdadeira fraude na sua vida virtual. Famosa online por postar na Internet diversas lições que ensinam as mulheres a se desapegarem de amores assim como o que ela própria sente, Raquel faz exatamente o contrário do que prega.
Mas só quem já se apaixonou platonicamente sem ser correspondido sabe o quanto é doloroso viver de migalhas. E é justamente isso que acontece com a nossa protagonista! Tá vendo o tamanho da barra que Raquel tem que enfrentar durante a trama?

“Ser feliz requer esforço, já que a alegria muitas vezes está fora da nossa zona de conforto. (…) Se apegar não é o problema. É bom contar com a proteção e a sensação de segurança que algumas coisas nos dão. A questão, querida, é se apegar a algo sem sentido só por rotina.”

O que achei?

"Super Desapegada" é aquele tipo de livro que fisga por um motivo óbvio: ele é engraçadinho e romântico na medida certa, te deixa com o coração quentinho e o sorriso bobo de quem acabou de assistir um filminho na Sessão da Tarde! O enredo lembra muito "O Casamento do Meu Melhor Amigo" e traz vários clichês típicos de comédias românticas, mas que funcionaram do jeito certo.
Ele é escrito em terceira pessoa, mas foca em um personagem de cada vez, o que garantiu que soubéssemos o que cada um estava sentindo e dá uma sensação muito legal de não sermos imparciais no julgamento de nenhum deles, inclusive de Raquel. Eu, ao menos, em nenhum momento consegui achá-la boba, ruim ou infantil, mesmo sabendo que os movimentos que ela estava usando para tentar ganhar o jogo não eram lá muito legais.

“As pessoas escolhem demais, eliminando possibilidades, e depois reclamam da vida. Elas não deixam o destino agir. Por isso digo que com tanta gente no mundo, solidão é uma questão de escolha”.

Todos os personagens, sem exceção, são bem trabalhados, mas o meu preferido sem dúvidas foi o LINDO MARAVILHOSO PERFEITO Eric! Pra começar, ele trabalha em uma conceituada empresa de games, é totalmente desprovido de vaidade (embora seja bonito) e ama o universo geek de tecnologia e jogos. Pronto, já me ganhou aí - cheguei a imaginar o Chris Evans nele, hahaha! Ele também, mesmo "adulto", continua super implicante com a Raquel, e ela continua respondendo atravessado pra ele como uma criança, o que criou aquele clima de intimidade gostoso de presenciar sem parecer imaturo, sabe?
Até os personagens coadjuvantes são muito amor, vide Ian, que é o maravilhoso amigo gay da Raquel, muitas vezes responsável por dar um tapa de realidade nela, e Gabriela, que tem um jeitinho mais amoroso e meio "mãezona".

"Só me apaixonei por uma pessoa na minha vida. Uma pessoa, duas vezes."

A escrita da autora é ótima, bem fluída e divertida. Não me entendiei em nenhum momento. As cenas de romance são de uma doçura tão intensa que não tem como não suspirar...
O trabalho de revisão é muito bom, sem erros de pontuação e gramática (que é uma excelente característica da Draco, até onde já pude perceber). Encontrei apenas alguns erros básicos de digitação, mas nada que atrapalhe a leitura.
Infelizmente não tenho como avaliar o aspecto físico do livro, pois o li em e-book. Mas, mesmo assim, o trabalho digital tem uma excelente formatação. Inclusive achei bastante interessante as páginas dedicadas ao blog de Raquel, que tem uma estrutura diferente do restante do livro, como um painel de edição de posts mesmo. Super fofo e criativo!
Só não vou mentir e dizer que não fiquei meio sentida com a opinião de Raquel sobre os "nerds", haha! Há um trecho onde ela se utiliza daquela imagem estereotipada do nerd como alguém feio e sem skills sociais (onde ela não esperava encontrar um nerd bonito). Ou trechos onde Eric que, embora seja lindo e faça parte desse mundo, aparece usando camisetas temáticas com imagens ou frases que fazem referências ao universo geek dos games e filmes. Aí me vem a Raquel detestando as benditas camisetas, descrevendo-as com expressões como ridículas, idiotas, estúpidas etc. Mas isso é detalhe! ;D

No geral, gamei MUITO nessa história. É não só um romance sobre o amor, apego e desapego, mas sobre valorizar-se, como pessoa e profissional (vide o diálogo impagável de Raquel com sua chefe, rs).
Embora a própria sinopse já entregue muito da cereja do bolo, o caminho a ser percorrido pra chegar até ela é muito bem desenvolvido. É um livro pra ser lido rapidinho, em no máximo dois dias, e ainda traz, de quebra, uma ótima lição por trás, mesmo que não pareça: às vezes a gente perde tanto tempo perseguindo algo que achamos que é o melhor pra gente, vivendo numa zona de conforto triste por medo de se arriscar no desconhecido, que acabamos não olhando para os lados com os olhos verdadeiramente abertos pra enxergar o mar de possibilidades a nossa volta!

NOTA:  (4/5)

Obrigada, Draco, pela oportunidade de ter conhecido o Eric esse livro lindo! <3

E vocês, já leram? O que acharam?
Comentem aqui!
Beijos e até a próxima!

15 junho 2016

Livro: “O Lado Feio do Amor” - Colleen Hoover

*Pode conter spoilers.

"O amor nem sempre é bonito, Tate. Algumas vezes você gasta todo o seu tempo esperando que finalmente algo seja diferente. Algo melhor. Então, antes que você saiba, você está de volta ao primeiro quadrado, e você perdeu seu coração em algum lugar do caminho."



Olá, pessoal!
Hora de retomar o tempo perdido e publicar resenhas que fiquei devendo pra vocês no ano passado! Felizmente tenho uma memória legal pra guardar os sentimentos que os livros me causaram, então elas sairão praticamente fresquinhas, rs! Vou intercalando com as leituras desse ano pra deixar vocês atualizados, OK? :)

“O Lado Feio do Amor” (título original: “Ugly Love”), da autora Colleen Hoover (Editora Galera Record, 2015, 336 páginas) foi minha penúltima leitura do ano passado. Deveria ter sido uma leitura coletiva, mas minhas amigas leram tão rápido e eu, tão devagar, que acabei ficando por último, rs.

Foi o primeiro livro da autora que li e estava com a expectativa nas alturas, porque já tinha lido várias resenhas sobre ele e a decisão era unânime: todo mundo amou esse livro. Já tinha visto também muitos elogios aos trabalhos da Colleen Hoover e alguns seguidores já haviam dito que eu deveria ler logo esse livro específico. Já sentiu a pressão, né?

“O Lado Feio do Amor” conta a história de Tate Collins, que se muda para o apartamento de seu irmão, Corbin, a fim de se dedicar ao mestrado em enfermagem. Ela não imaginava, no entanto, que iria acabar conhecendo "o lado feio do amor" durante sua estadia no apê do irmão, ao dar de cara com Miles Archer e iniciar com ele um relacionamento onde companheirismo e cumplicidade não são prioridades - e o sexo parece ser o único objetivo.
Mas Miles, piloto de avião, vizinho, melhor amigo de Corbin e, de quebra, lindo de morrer, encanta Tate, apesar da armadura emocional que usa para esconder um passado de dor.
O que Miles e Tate sentem não é amor à primeira vista, mas uma atração incontrolável. Em pouco tempo não conseguem mais resistir e se entregam ao desejo.
O rapaz impõe duas regras: sem perguntas sobre o passado e sem esperanças para o futuro. Será um relacionamento casual. Eles têm a sintonia perfeita. Tate prometeu não se apaixonar. Mas vai descobrir que nenhuma regra é capaz de controlar o amor e o desejo.

"Ele suspira enquanto olha para minha boca. 'Você faz com que respirar seja tão difícil.' Algumas vezes não falar diz mais do que todas as palavras do mundo."

O que achei?

Não adianta, me sinto um verdadeiro alien quando minha opinião é contrária ao sentimento de todo mundo com relação a determinada leitura.
Acho até que foi por isso que demorei tanto a fazer a resenha desse livro. Sei que a autora tem muitos fãs e bateu aquele medinho de me expor, sabe?
Mas como me senti bem dividida sobre meus sentimentos acerca da leitura (e esse livro me despertou vários), não queria deixar de falar sobre eles. E eu só conseguiria repassar tudo pra vocês através de uma resenha com poucos spoilers - então, se você ainda não leu o livro e pretende, sugiro que não avance. Se você gosta de spoilers e não vê problemas nisso, continue sem medo! :)

"Não há nada no mundo que se compare com sentir e cheirar a chuva recém-caída."

Bem, pra começar, preciso dizer que a escrita da autora me cativou bastante! Nisso não tem como negar: ela trabalha muito bem as palavras. Tanto é que não foi difícil iniciar o livro, nem me perder dentro dele - muito menos terminá-lo. Tudo flui de um jeito bom, que te conduz ao final sem que você perceba o tempo passar.
O livro é carregado de sentimentos e é tudo muito intenso, até dramático, e esse, ao meu ver, é mais um ponto positivo. O autor que consegue te transportar para o mundo que criou e despertar teus sentidos, seja de forma positiva ou negativa, já prova o seu valor.
Os personagens são bem construídos, tem uma personalidade própria e forte, são palpáveis e muito reais.

Minha dificuldade, no entanto, foi aceitar o teor do relacionamento de Miles e Tate, e foi aí que, pra mim, residiu a "fraqueza" do livro.
Não se trata, no entanto, de procurar defeitos na criação da autora ou motivos pra criticá-la, antes que seja dito algo do gênero - até porque esse foi meu primeiro livro dela e eu sequer tive parâmetros para comparar. Dificilmente leio por ler e acabo (dependendo do livro) sempre procurando algum sentido ou lição oculta ali nas entrelinhas - daí querer analisá-los mais do que simples leituras.

"As partes bonitas do amor seguram você sobre o resto do mundo."

Os capítulos do livro são intercalados: ora temos a visão da Tate, hora a narração do Miles, ambas em primeira pessoa. A parte da Tate é narrativa, no tempo presente. Ela foi, à princípio, uma personagem que me pareceu muito independente. Ela e o irmão estão ali, com sua própria vida, morando longe dos pais e perseguindo seus sonhos e realizações profissionais. Logo, esperava que ela tivesse uma postura condizente com esse perfil, o que não encontrei.

Já a parte do Miles é estruturada em forma de versos (centralizados na página), o qual utiliza o tempo passado para nos mostrar o que, afinal, aconteceu com ele. A questão é que Miles é atormentado pelo seu passado, por conta de um fato que não sabemos qual foi e que perdura durante o livro inteiro, sendo revelado apenas no final.
Durante seus capítulos, começamos a entender que o rapaz tinha um relacionamento anterior com Rachel, grande amor de sua vida no passado, mas que foi terminado por conta de uma tragédia. Depois disso, ele nunca mais conseguiu encarar qualquer relacionamento e vínculos emocionais com outras pessoas. Inclusive, faziam ANOS que ele não tinha nada com ninguém, inclusive relações sexuais.

Tate surge para quebrar essa barreira de Miles e permitir que ele finalmente possa desejar alguém. Mas, como ele não está preparado para ter mais do que isso, Miles estipula as regras mencionadas acima. Ele e Tate iniciam uma relação conveniente, em tese, para os dois: os dois se sentem atraídos sexualmente, ok, então nada mais interessante do que beneficiar a ambos sem as amarras dos sentimentos.

É óbvio que alguém ia se apaixonar e se machucar com isso, certo? E sim, tinha que ser Tate, antes super segura de que cumpriria todas as regras do "relacionamento". Foi aí que tudo começou a me incomodar. Acredito que muito do julgamento que fazemos do que lemos vem da nossa bagagem, aprendizado e vivência, por isso acabei interpretando o livro de uma forma diferente.
Tate passa por muitos episódios em que as relações meramente sexuais, que aos poucos passam a transtorná-la a medida que seus sentimentos evoluem, acabam deixando-a em uma posição totalmente humilhante e submissa, em um relacionamento de mão única totalmente abusivo. A "desculpa" para que essa situação aconteça é justamente o passado sofrido de Miles, e as regras estabelecidas são o principal motivo pelo qual ela aceita "pacificamente", embora sofrendo, o péssimo tratamento que ele dispensa a ela.
Cenas como passar dias sem vê-la e não mandar ao menos uma mensagem, enquanto ela passa horas encarando o celular preocupando-se com ele, ou momentos em que ele a abandona logo após terminar o sexo, dispensando-a de imediato, me soaram baixas demais para um livro destinado a um público jovem. O fim da picada foi vê-lo pronunciando o nome da Rachel durante a transa e ver Tate, totalmente humilhada, pedindo apenas para que ele terminasse o que estava fazendo. Alô, SÉRIO?

"A diferença entre o lado feio do amor e o lado bonito do amor é que o lado bonito é que o lado bonito é muito mais leve. Faz você sentir como se estivesse flutuando."

Independente do sofrimento dele, nada no mundo pode dar às pessoas permissão para serem babacas com quem quer que seja. Mais: não senti que o personagem realmente tinha se desconectado do antigo amor a ponto de o livro terminar da forma como terminou, totalmente "conto de fadas moderno". Não senti uma evolução nele, mas sim uma desculpa para que o livro tivesse um plot-twist e de repente tudo parecesse se encaixar sem ser ofensivo. Também não senti necessidade alguma do personagem que é vizinho dos meninos e que flerta o tempo todo com Tate, mesmo sendo casado. Me pareceu uma tentativa da autora de fazer o Miles soar "menos ruim" quando comparado com alguém que trai a esposa.

"É estranho, ver alguém pela primeira vez sob diferentes circunstâncias de quando você partiu."

Pode até parecer que levei tudo a sério demais, mas levei mesmo, rs. Vejam: a maioria do público que lê esse tipo de livro é adolescente / jovem-adulto, e muitos deles são, sim, influenciados pelo que leem nos livros. Fiquei preocupada de ver tantas meninas achando o livro lindo e Miles totalmente ausente de culpa sem se questionar se era mesmo certo uma garota viver algo assim, passando por cima desse tipo de caso onde, honestamente, eu ficaria muito triste de estar ou de ver uma amiga ou qualquer mulher se sujeitando a sofrer, tendo o "amor" e suas migalhas como justificativa. O pior mesmo é saber que isso de fato acontece, pois nem todas as mulheres, independente da idade, sabem lidar com seus sentimentos de forma segura. Justamente por isso, adoraria ver uma Tate mais cheia de si e de amor próprio, o que passou longe dela.

Acabou que os capítulos da Tate foram dolorosos para mim, enquanto eu desejava desesperadamente que chegassem os do Miles "do passado", tão mais romântico e intenso que o do presente, para que eu pudesse enfim entender o que tinha acontecido com ele. Sim, preferia ter lido um livro tendo ele e Rachel como protagonistas, rs. O segredo dele, afinal, é muito emocionante, mas a revelação do passado com a situação atual dos personagens no presente foi informação demais pra eu digerir nas poucas páginas em que tudo se desenrola para o término. No geral, o zelador do prédio dos personagens, Cap, foi meu personagem preferido, um idoso cheio de ensinamentos maduros sobre suas experiências de vida.

"'Algumas pessoas... Elas ficam mais sábias à medida que envelhecem. Infelizmente, a maioria das pessoas só envelhece.'"

Enfim... Como 336 páginas podem afetar tanto uma pessoa?! Rs!
Só concluo que, se para descobrir o lado bonito do amor é preciso conviver com esse lado feio, espero nunca ter que passar por ele ou ver alguma de vocês sendo uma Tate na vida.

NOTA: 

Lógico que essa experiência não me fez desistir da autora, muito pelo contrário. Pretendo ler outros títulos dela em breve.

Ah, o livro também ganhará uma adaptação cinematográfica, que estava prevista para esse ano, mas creio que ainda deve demorar um pouco para sair. Ela foi anunciada desde o final do ano passado pela autora, e até agora os únicos confirmados para o elenco são os atores Nick Bateman como Miles Archer (na imagem abaixo - só pra fazer ficar mais difícil não gostar dele, rs) e o ator Cody Hackman como Corbin (que não achei que fez jus, mas ok).

FONTE: Cinema de Buteco

Mas e vocês, já leram "O Lado Feio do Amor"?
Vão brigar comigo ou concordam em algum ponto? Sejam bonzinhos, rs! <3

Beijos e até a próxima!

05 junho 2016

Semana Herança de Sombras - Convite do Lançamento


Hey! Sei que vão sentir falta da nossa semana de divulgação do primeiro livro da série Herança de Sombrasmas para encerrar a semana com chave de ouro e diamante, viemos deixar um super convite, para o LANÇAMENTO ONLINE que vai acontecer dia 05/06/2016  a partir das 13h e encerramento com a Autora ás 22h. 
Isso mesmo que você leu, o evento será na sua casa!  No final do post temos uma surpresa para vocês. 



Para acessar o evento ===> Clique Aqui

Brindes, Sorteios, Brincadeiras, Bate-Papos, Desafios e tudo que é de bom, esses foram os elementos para criar o lançamento virtual Luxúria. 

Como toda comemoração tem seus convidados não é verdade. 


         13h: Abertura                   
    14h: Thais Lopes        
     15h: Marcella Rosetti  
16h: L. L. Alves     
    17h: Caty Coelho       
    18H Jessica Macedo   
    19h: Caroline Defanti 
   20h: Ana Monteiro     
   21h: Priscila Ferreira  
   22h: Juliana Bizatto    



04 junho 2016

Semana Herança de Sombras - Quotes + Primeiras impressões

 
Hey! Continuando com a nossa semana especial!
Hoje como estamos quase no encerramento da Semana Herança de Sombras teremos as primeiras impressões e Quotes.
PRIMEIRAS IMPRESSÕES

 


QUOTES